Diretriz
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Cabe ressaltar que, devido a especificidades do consumo de
BZDs, ou seja, o uso geralmente se dá por meio de prescrição médica,
geralmente reforçado pelos próprios profissionais de saúde, é comum
que o quadro de dependência passe despercebido, uma vez que o
paciente pode fazer uso continuado a anos de doses razoavelmente
fixas.
Alguns sintomas como a busca da droga podem passar
despercebidos, já que o uso é continuado e a medicação é prescrita.
A tolerância se desenvolve especialmente para os efeitos sedativos,
permanecendo algum efeito ansiolítico e efeitos amnésticos
53(B)
. O
paciente pode não experimentar síndrome de abstinência, já que
continuará o uso de modo indefinido, a não ser que fique sem receita
por algum incidente. Nesta situação, poderá enfrentar os sinais e
sintomas da síndrome de abstinência, mas logo poderá considerar
que são sinais de ansiedade subjacente e que, portanto, não deveria
parar a medicação.
Os sintomas da síndrome de abstinência variam em gravidade
a depender do tipo de medicamento utilizado, dose, da presença de
transtornos mentais subjacentes (pacientes portadores de transtornos
de personalidade ou transtorno de pânico tendem a experimentar
síndrome de retirada com mais sintomas). A velocidade da retirada
também influenciará na gravidade da síndrome, ou seja, quanto mais
abrupta a cessação ou redução, mais grave será o quadro
54(D)
.
Os sintomas mais frequentes são: insônia, irritabilidade,
ansiedade, fotossensibilidade, desejo de consumir a substância
(
craving
). Em casos mais graves, sintomas como despersonalização,
desrealização e crises convulsivas podem sobrevir
54,55(D)
.
A evolução da Síndrome de abstinência ocorre a partir de 24 a 72
horas da retirada da substância, a depender dameia-vida (substâncias
que tenham meia-vida mais longa e metabólitos ativos levaram a
um início mais tardio da abstinência) e dura em média uma a duas
semanas. Alguns pacientes que fazem uso de longa data podem
apresentar umquadrode síndromede abstinênciaprotraída, quepode
durar alguns meses, com permanência de dificuldades cognitivas,
ansiedade, irritabilidade e alterações de humor menores
56(D)
.
O tratamento da síndrome de dependência e de abstinência
deve ser iniciado pela orientação do paciente (psicoeducação),
esclarecendo riscos do uso continuado da substância, tais como
prejuízo cognitivo e aumento do risco de queda e sobre as vantagens
da retirada (economia, melhora da ansiedade e do sono após dois
meses da retirada)
57(A)58(D)
.
RECOMENDAÇÃO
A síndrome de dependência de BZD deve ser investigada em
todos os pacientes que façam uso da medicação
52(B)
. É importante
orientar o paciente para reconhecer a dependência e os sintomas
de abstinência e explicar que, superada esta fase, a tendência é de
melhora da qualidade de vida
57(A)
.
6. QUAIS SÃO AS COMORBIDADES MAIS COMUNS,
CLÍNICAS E PSIQUIÁTRICAS, RELACIONADAS AO
USO AGUDO E CRÔNICO?
Problemas de atenção ememóriapodemocorrermesmo comouso
agudo,mas sãobastante freqüentes comousocrônico. Estesproblemas
podem ser particularmente relevantes em indivíduos idosos, já que
se sobrepõem ao declínio cognitivo associado ao envelhecimento.
Desta forma, quedas e acidentes se tornam uma preocupação real
59(B)
.
Idosos institucionalizados têm chance aumentada de uso prolongado
e inadequado de BZD, comOR=1,50 (IC 95% 1,41-1,60), semaumentar
a chance de interações medicamentosas graves
60(B)
.
O tempo para desenvolvimento de tolerância aos BDZs varia
enormemente de indivíduo para indivíduo, mas em geral a tolerância
para os efeitos hipnóticos e sedativos aparece mais precocemente do
que a tolerância para os efeitos ansiolíticos e cognitivos. É preciso
orientar os pacientes quanto ao aumento do risco de acidentes,
especialmente no iníciodo tratamento e nos aumentos de dosagem
61(D)
.
Outra preocupação como uso de BZD é o frequente envolvimento
deste fármaco em tentativas de suicídio, o que também deve ser
levado em consideração, especialmente empacientes com transtornos




