Background Image
Previous Page  10-11 / 54 Next Page
Information
Show Menu
Previous Page 10-11 / 54 Next Page
Page Background

Diretriz

Diretriz

10

11

1. COMO INCIDE O USO E QUAL É A PREVALÊNCIA DE

DEPENDÊNCIA DE BENZODIAZEPÍNICOS?

A dependência de benzodiazepínicos (BZD) é um quadro

com peculiaridades em relação a outras formas de dependência.

Como o uso é, muitas vezes, incentivado e mantido pelos próprios

profissionais de saúde - ainda que não haja indicações clínicas claras

em muitos destes casos - alguns fenômenos comuns à Síndrome de

Dependência de outras substâncias podem não estar tão evidentes

9(B)

.

Ao avaliar prescrições do uso contínuo de BZD em cinco centros de

atendimento primário no interior de São Paulo observa-se que o

tempo médio do uso de diazepan é de 10 anos, em pacientes que

nunca tiveram qualquer orientação sobre os efeitos adversos da

medicação e que por conta própria tem feito tentativas frustradas de

interrupção. A maioria dos usuários são mulheres, mais da metade

dos casos em tratamento de depressão maior e ¼ dos casos já com

dependência do BZD

9(B)

.

É uma dependência que, por vezes, ocorre em doses próximas à

terapêutica, dificultando apercepçãode que oháumusoproblemático

da droga. Assim, é preciso treinamento adequado para melhor

reconhecimento dos casos em que: 1) o uso do BZD não está bem

indicado; 2) o paciente faz uso não-médico dos BZDs (especialmente

por meio de auto-diagnóstico e auto-medicação) e, finalmente, 3)

pacientes que apresentam quadros de Síndrome de Dependência de

Benzodiazepínicos.

Há populações que apresentam risco especial para

desenvolvimento de dependência destas drogas. Entre estas, citam-

se:

1. Pacientes com transtornos mentais

2. Pessoas com problemas por uso de outras substâncias

psicoativas, como álcool e outras drogas;

3. Mulheres acima de 50 anos

4. Pessoas com insônia ou outros transtornos do sono mal

identificados e tratados

Pela grande popularidade que alcançaram na década de 70

e 80, uma vez que substituíram agentes cujo risco de

overdose

era

exacerbado, como o meprobamato, barbitúricos e hidrato de cloral,

houve uma grande prescrição destes fármacos nas décadas de 70 e

80, sendo que atingiram o status de medicamentos mais prescritos

mundialmente

10(D)

.

Nas décadas de 80 e 90 começou um processo de mudança no

padrão de prescrição, especialmente para pacientes com transtornos

mentais (transtornos ansiosos e depressivos), que passaram a ser

preferencialmente medicados com antidepressivos commelhor perfil

de efeitos colaterais (especialmente inibidores seletivos de receptação

de serotonina).

Estudo brasileiro na população geral com idosos mostra que por

volta de 21% faziam uso regular deste medicamento, frequentemente

BZD com meia-vida longa, sendo o uso ainda mais comum

entre mulheres (27%), onde o gênero feminino é fator preditivo

independente para risco do uso, com RR=1,93 (IC 95% 1,51-2,46)

11(B)

.

Estudo na população geral canadense o uso de BZD ocorre em 25%

dos idosos, com índices de dependência de aproximadamente 10% e

um terço com desejo de parar o consumo

12(B)

.

Alguns estudos mostram discreta redução recente no padrão de

prescrição de BZD e que o grupo que faz uso mais frequentemente é o

de idosos

13(B)

. Paradoxalmente, neste grupo, os BZDs mais prescritos

são o de meia-vida longa, o que, potencialmente, pode relacionar-se

com maior risco de queda e de comprometimento cognitivo

13(B)

.

O número de usuários crônicos, geralmente entre 2-8 anos,

relatam facilidade em adquirir a medicação somente dizendo que

faz uso prévio, mesmo sem definição da indicação terapêutica

14(C)

.

Estima-se que entre 1 e 3% de toda a população mundial tenha

consumido regularmente BZDs regularmente por mais de um ano

15(B)

.

Tais números significariam algo em torno de dois a seis milhões de

brasileiros fazendo uso regular de BZDs. No Rio de Janeiro idoso

acima de 60 anos de idade fazem uso de BZD em 21% dos casos, dos

quais 7% há mais de um ano e geralmente por insônia, com OR=8,87

(IC 95% 2,53-31,06) ou cefaleia, com OR=3,53 (IC 95% 1,82-6,89). É

muito comuma polifarmácia, pois idosos que usam4-6medicamentos