Diretriz
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1. COMO INCIDE O USO E QUAL É A PREVALÊNCIA DE
DEPENDÊNCIA DE BENZODIAZEPÍNICOS?
A dependência de benzodiazepínicos (BZD) é um quadro
com peculiaridades em relação a outras formas de dependência.
Como o uso é, muitas vezes, incentivado e mantido pelos próprios
profissionais de saúde - ainda que não haja indicações clínicas claras
em muitos destes casos - alguns fenômenos comuns à Síndrome de
Dependência de outras substâncias podem não estar tão evidentes
9(B)
.
Ao avaliar prescrições do uso contínuo de BZD em cinco centros de
atendimento primário no interior de São Paulo observa-se que o
tempo médio do uso de diazepan é de 10 anos, em pacientes que
nunca tiveram qualquer orientação sobre os efeitos adversos da
medicação e que por conta própria tem feito tentativas frustradas de
interrupção. A maioria dos usuários são mulheres, mais da metade
dos casos em tratamento de depressão maior e ¼ dos casos já com
dependência do BZD
9(B)
.
É uma dependência que, por vezes, ocorre em doses próximas à
terapêutica, dificultando apercepçãode que oháumusoproblemático
da droga. Assim, é preciso treinamento adequado para melhor
reconhecimento dos casos em que: 1) o uso do BZD não está bem
indicado; 2) o paciente faz uso não-médico dos BZDs (especialmente
por meio de auto-diagnóstico e auto-medicação) e, finalmente, 3)
pacientes que apresentam quadros de Síndrome de Dependência de
Benzodiazepínicos.
Há populações que apresentam risco especial para
desenvolvimento de dependência destas drogas. Entre estas, citam-
se:
1. Pacientes com transtornos mentais
2. Pessoas com problemas por uso de outras substâncias
psicoativas, como álcool e outras drogas;
3. Mulheres acima de 50 anos
4. Pessoas com insônia ou outros transtornos do sono mal
identificados e tratados
Pela grande popularidade que alcançaram na década de 70
e 80, uma vez que substituíram agentes cujo risco de
overdose
era
exacerbado, como o meprobamato, barbitúricos e hidrato de cloral,
houve uma grande prescrição destes fármacos nas décadas de 70 e
80, sendo que atingiram o status de medicamentos mais prescritos
mundialmente
10(D)
.
Nas décadas de 80 e 90 começou um processo de mudança no
padrão de prescrição, especialmente para pacientes com transtornos
mentais (transtornos ansiosos e depressivos), que passaram a ser
preferencialmente medicados com antidepressivos commelhor perfil
de efeitos colaterais (especialmente inibidores seletivos de receptação
de serotonina).
Estudo brasileiro na população geral com idosos mostra que por
volta de 21% faziam uso regular deste medicamento, frequentemente
BZD com meia-vida longa, sendo o uso ainda mais comum
entre mulheres (27%), onde o gênero feminino é fator preditivo
independente para risco do uso, com RR=1,93 (IC 95% 1,51-2,46)
11(B)
.
Estudo na população geral canadense o uso de BZD ocorre em 25%
dos idosos, com índices de dependência de aproximadamente 10% e
um terço com desejo de parar o consumo
12(B)
.
Alguns estudos mostram discreta redução recente no padrão de
prescrição de BZD e que o grupo que faz uso mais frequentemente é o
de idosos
13(B)
. Paradoxalmente, neste grupo, os BZDs mais prescritos
são o de meia-vida longa, o que, potencialmente, pode relacionar-se
com maior risco de queda e de comprometimento cognitivo
13(B)
.
O número de usuários crônicos, geralmente entre 2-8 anos,
relatam facilidade em adquirir a medicação somente dizendo que
faz uso prévio, mesmo sem definição da indicação terapêutica
14(C)
.
Estima-se que entre 1 e 3% de toda a população mundial tenha
consumido regularmente BZDs regularmente por mais de um ano
15(B)
.
Tais números significariam algo em torno de dois a seis milhões de
brasileiros fazendo uso regular de BZDs. No Rio de Janeiro idoso
acima de 60 anos de idade fazem uso de BZD em 21% dos casos, dos
quais 7% há mais de um ano e geralmente por insônia, com OR=8,87
(IC 95% 2,53-31,06) ou cefaleia, com OR=3,53 (IC 95% 1,82-6,89). É
muito comuma polifarmácia, pois idosos que usam4-6medicamentos




