Diretriz
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diários tem 3 vezes mais chances de usar BZD, com OR=2,77 (IC
95% 1,17-6,57); enquanto que os que usam mais de 7 medicamentos
diários tem 7 vezes mais chances de também estar usando BZD, com
OR=7,62 (IC 95%3,18-18,26)
15(B)
.
Segundo o II Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas
Psicotrópicas no Brasil – 2005, o uso na vida de BZDs subira de 3,3%
em 2001 para 5,6% em 2005. Já a dependência de BZDs diminuiu de
1,1% em 2001 para 0,5% em 2005
16(A)
.
Estudo na população geral na França, incluindo mais de 4000
sujeitos revelou que, entre aqueles que utilizavam BZD há mais de
seis meses, metade apresentava sinais de síndrome de dependência,
e a maioria deles não estava corretamente tratada para os transtornos
mentais em questão
17(B)
.
Portanto, a prevalência do uso de BZD é bastante variável, e
depende se o uso é prolongado ou não, local onde a população foi
estudada, o gênero e a idade do paciente.
RECOMENDAÇÃO
Em função da taxa expressiva de uso por pelo menos 1 ano na
vida de BZDs atingir 1 a 3% da população mundial
15(B)
, recomenda-
se investigar sobre o consumo e observar se há indicações para
sua continuidade
14(C)
, já que a síndrome de dependência de BZDs
pode ocorrer em doses próximas à terapêutica. Estima-se que a
prevalência do uso de BZD na população brasileira seja de 5,6%
8(A)
a 21% da população geral
11,15(B)
, sendo mais freqüente em mulheres e
idosos
11,15(B)
. Já a taxa de dependência de BZD estimada é de 0,5%
16(A)
.
2. É POSSÍVEL USAR BENZODIAZEPÍNICOS PORMAISDE
TRÊS MESES E NÃO DESENVOLVER DEPENDÊNCIA?
São discutíveis as indicações do BZD para tratamento de doenças
crônicas como insônia, ansiedade
18(B)
ou alívio sintomático de
dispneias em doenças pulmonares obstrutivas crônicas ou pacientes
com câncer avançado
19(C)
. São conhecidos os seus benefícios,
principalmente em curto prazo de tempo
20(D)
, mas o seu uso de longo
prazo não é recomendável pelos efeitos adversos, pelos riscos de
tolerância e dependência, além dos riscos aumentados de alterações
cognitivas
21(B)
, quedas com possíveis fraturas
22,23(B)
e acidentes de
tráfico
24(B)
. A partir de três meses considera-se uso de longo prazo de
BZD.
Para melhorar alguns parâmetros da insônia é necessário usar
BZD por curto tempo em 13 pessoas, para beneficiar somente 1 delas,
porém uma de cada 6 apresentarão efeitos adversos
21(B)
. Este uso
aumenta os riscos de fraturas com RR=1,34 (IC 95% 1,24-1,45)
22(B)
e de
acidentes de tráfico com RR=1,5 (IC 95% 1,2-1,9)
23(B)
.
O desenvolvimento da dependência de BZDs relaciona-se
com o tempo de uso, além de fatores individuais (predisposição
genética, dependência de outras drogas e álcool, características de
personalidade). Quanto maior o tempo de uso, maior o risco de
desenvolvimento de tolerância – que é um fenômeno natural da
exposição continuada ao uso da substância – e sintomas de abstinência
durante a retirada. Assim, o desejável é que o uso do BZDs seja feito
durante um período menor possível. Isto requer um diagnóstico
correto do quadro psicopatológico e que os profissionais não usem os
BZDs em situações onde os mesmos não estejam recomendados
25(D)
.
Uma prática frequente é a utilização de BZDs durante o período
de início dos efeitos ansiolíticos e/ou antidepressivos dos agentes
antidepressivos. Tal uso concentra-se no primeiro mês e, a partir daí,
dá-se uma retirada gradual, porém rápida do BZD (em uma ou duas
semanas)
25(D)
.
A prescrição deve ser avaliada sistematicamente pelo médico
que assiste o paciente. A indicação precisa e o tempo de uso são
objetos a serem avaliados como as implicações decorrentes de seu
uso prolongado. O tempo de uso irá depender dos sintomas a serem
tratados: para casos de insônia, o uso deve ser restrito há alguns
dias, alternados ou não, e não deve ultrapassar duas semanas.
Para o tratamento de ansiedade ideal é o uso concomitante de
antidepressivos e de tratamento psicoterápico
25(D)
. As indicações
para o uso de BZDs incluem reação aguda a estresse, transtorno de
ansiedade generalizada, transtorno do pânico comou semagorafobia.




